O Problema
Vivo com TDAH desde sempre, diagnosticado há pouco mais de 2 anos. Por muito tempo achei que era falta de disciplina. Criei sistemas e rotinas pra sobreviver: no estudo, no trabalho, na vida.
Tentei tudo. Kanban, pomodoro, eat the frog, todo list. Trello, Todoist, Google Tarefas. Nenhum funcionou. Não porque eu não me esforcei, mas porque nenhum desses apps foi construído por alguém que entende o problema por dentro. Eles exigem configuração antes de começar. Pedem decisões quando você já está travado. Viram mais uma tarefa.
O Processo
Apliquei o que sei como gerente de produto: transformei minha dor em job to be done. O discovery não foi uma reunião. Foi uma conversa.
Usei o Claude como facilitador. Ele me fez perguntas uma por vez, sem me sobrecarregar, até eu conseguir articular o que realmente precisava. Não comecei descrevendo features. Comecei descrevendo uma sensação: quero me sentir evoluindo.
Falei das técnicas pra ajudar no TDAH que aprendi na terapia. Dali saíram as decisões que definiram o produto:
- O timer escondido — ver o tempo acabando gera ansiedade
- A barra de progresso que enche em vez de esvaziar
- O mascote que fica do seu lado sem cobrar
Cada feature tem uma razão clínica por trás. Eu era o usuário, o pesquisador e o PM ao mesmo tempo.
A Solução
Em um dia, tinha um app funcional construído no Lovable, sem escrever uma linha de código. O Lichtung foi construído com:
- Claude — especificação, decisões de produto e engenharia, refinamento de UX
- Lovable — desenvolvimento do app (React + Vite + TypeScript + Tailwind)
- Supabase — banco de dados e autenticação anônima
- Web Worker + Service Worker — timer confiável em mobile, mesmo com tela bloqueada
Resultados
Primeiro ciclo foi comigo: 40% de redução no tempo gasto com hábitos ruins e 20% de aumento no tempo de foco e estudo.
Quando eu estava confortável com o produto, liberei pra beta-testers. Todos relataram aumento do tempo nas tarefas que exigem foco. A média foi de 17%.
A reflexão
Todo case de vibe coding que você vai encontrar tem o mesmo arco: pessoa sem experiência técnica constrói um SaaS, consegue usuários, fala sobre escala. O Lichtung é o oposto disso.
Aqui a IA não foi usada pra construir um negócio. Foi usada pra resolver um problema real de uma pessoa real. O critério de sucesso não foi MRR — foi conseguir estudar mais e perder menos tempo com hábitos ruins.
É o vibe-coding como método de autoconhecimento. Quando você não sabe programar e usa IA pra construir algo pra você mesmo, o processo de especificação te obriga a entender seu próprio problema com uma profundidade que nenhum app pronto exige. As decisões do produto não vieram de pesquisa de mercado. Vieram de terapia.


